Lúcido Lúcio

"... a última das coisas a que o Todo-Poderoso não nega seu beneplácito é a eclosão da verdade."
         (Padre Justino, personagem de Lúcio Cardoso, em 'Crônica da Casa Assassinada'.

Ano em que comemora-se o centenário de Lúcio Cardoso, é também o ano em que descubro tamanho escritor! Ao procurar por escritores que fugiam à regra dos regionalismos e contos e escritos pseudo politizados, encontro o artigo de Cecília Prada. Qual não foi minha surpresa ao deparar-me com a descrição de LC! Talvez, por sua ação singular, autêntica e sem floreios, identifiquei-me imediatamente com o mineiro, contemporâneo e amigo de um de meus maiores desafios: Clarice Lispector!
Encontrei em LC o que faltava numa sociedade tão facilmente conduzida ao clichê! Lúcio é eliminatório! Ele não dá chances para concursos! Entra na verdade da ficção, e morre em seus versos, um por um! 
Ele é um plural nada controverso, mas dual; encarou-me com uma dualidade barroca inevitavelmente atraente e permeada de mistérios indissolúveis! 
Os mares nunca dantes navegados estão em Lúcio, pelo menos para o HOJE!
O escritor fugitivo não está nas estantes da maioria, nem se encontra nos perfis do Facebook! Foi rejeitado por seus "colegas". Lúcio não servia para a sociedade que queriam formar: apoiada em mentiras históricas e cheias de vilões reacionários! Ao contrário, a crítica de Lúcio se manifestava de maneira concentrada em cenários aos quais ele mesmo julgava pertencer!
Ainda não sei tanto sobre LC. Mas há o centenário inteiro para descobrir!
Centenário inteiro!
Lucidamente Lúcio!

Termino, quase inconsciente, com a crônica da verdadeira Diadorim: Clarice Lispector!
É uma crônica que a Dama das Vísceras faz a Lúcio Cardoso, tido por muitos teóricos, como o verdadeiro Amor de Clarice!
Enjoy it!


Lúcio, estou com saudade de você, corcel de fogo que você era, sem limite para o seu galope.
Saudade eu tenho sempre. Mas, saudade tristíssima, duas vezes.
A primeira quando você repentinamente adoeceu, em plena vida, você que era vida. Não morreu da doença. Continuou vivendo, porém era homem que não escrevia mais, ele que até então escrevera por uma compulsão eterna gloriosa. E depois da doença, não falava mais, ele que já me dissera das coisas mais inspiradas que ouvidos humanos poderiam ouvir. E ficara com o lado direito todo paralisado. Mais tarde usou a mão esquerda para pintar: o poder criativo nele não cessara.
Mudo ou grunhindo, só os olhos se estrelavam, eles que sempre haviam faiscado de um brilho intenso, fascinante e um pouco diabólico.
De sua doença restaria também o sorriso: esse homem que sorria para aquilo que o matava. Foi homem de se arriscar e de pagar o alto preço do jogo. Passou a transportar para as telas, com a mão esquerda (que, no entanto, era incapaz de escrever, só de pintar) transparência e luzes e levezas que antes ele não parecia ter conhecido e ter sido iluminado por elas: tenho um quadro, de antes da doença, que é quase totalmente negro. A luz lhe viera depois das trevas da doença.
A segunda saudade já foi perto do fim.
Algumas pessoas amigas dele estavam na ante-sala de seu quarto no hospital e a maioria não se sentiu com força de sofrer ainda mais ao vê-lo imóvel, em estado de coma.
Entrei no quarto e vi o Cristo morto. Seu rosto estava esverdeado como um personagem de El Greco. Havia a Beleza em seus traços.
Antes, mudo, ele pelo menos me ouvia. E agora não ouviria nem que eu gritasse que ele fora a pessoa mais importante da minha vida durante a minha adolescência. Naquela época ele me ensinava como se conhecem as pessoas atrás das máscaras, ensinava o melhor modo de olhar a lua. Foi Lúcio que me transformou em “mineira”: ganhei diploma e conheço os maneirismos que amo nos mineiros.
Não fui ao velório, nem ao enterro, nem à missa porque havia dentro de mim silêncio demais. Naqueles dias eu estava só, não podia ver gente: eu vira a morte.
Estou me lembrando de coisas. Misturo tudo. Ora ouço ele me garantir que eu não tivesse medo do futuro porque eu era um ser com a chama da vida. Ora vejo-nos alegres na rua comendo pipocas. Ora vejo-o encontrando-se comigo na ABBR, onde eu recuperava os movimentos de minha mão queimada e onde Lúcio, Pedro e Míriam Bloch chamavam-no à vida. Na ABBR caímos um nos braços do outro.
Lúcio e eu sempre nos admitimos: ele com sua vida misteriosa e secreta, eu com o que ele chamava de “vida apaixonante”. Em tantas coisas éramos tão fantásticos que, se não houvesse a impossibilidade, quem sabe teríamos nos casado.
Helena Cardoso, você que é uma escritora fina e que sabe pegar numa asa de borboleta sem quebrá-la, você que é irmã de Lúcio para todo o sempre, por que não escreve um livro sobre Lúcio? Você contaria de seus anseios e alegrias, de suas angústias profundas, de sua luta com Deus, de suas fugas para o humano, para os caminhos do Bem e do Mal. Você, Helena, sofreu com Lúcio e por isso mesmo mais o amou.
Enquanto escrevo levanto de vez em quando os olhos e contemplo a caixinha de música antiga que Lúcio me deu de presente: tocava como em cravo a Pour Élise. Tanto ouvi que a mola partiu. A caixinha de música está muda? Não. Assim como Lúcio não está morto dentro de mim."

Glorioso Príncipe da Santa Igreja Católica








      A Santa Mãe Igreja, celeiro de tantos santos, é também lugar de sacerdotes guerreiros! Morre Dom Eugênio de Araújo Cardeal Sales, Príncipe da Igreja de Deus! Morre descrito por São Paulo: "combati o bom combate, terminei a corrida, guardei a fé" 2Tim 4,7.
    Foi, sem dúvida, um dos maiores Cardeais deste país, e merece nossas homenagens em forma, principalmente, de orações! 
    Este adeus parece ter sabor diferente dos outros; parece doer um pouco mais, embora saibamos que, como Arauto da Igreja que foi, Dom Eugênio tem caminho de céu! Mas a dor da despedida tem outra conotação além dessa. O Brasil perde uma âncora que o ajuda a caminhar seguindo a Igreja. O Brasil perde um elo importantíssimo e extremamente forte com a Cidade Eterna!
    Peço, agora, a oração desse príncipe que nos deixa para encontrar o Amado de nossas almas, a quem ele soube amar e servir!
    Que a Virgem Maria e o Arcanjo Miguel sigam ao seu encontro, queridíssimo, eminentíssimo Dom Eugênio!
    Que tuas virtudes e pés fincados na Barca de Pedro nos ajudem a seguir os passos daquele que Te chamou!
Requiescat in pace!

Intertextualidade que doi


Hoje pela manhã, minha mãe acordou-me com a notícia de que meu tio havia sido encontrado morto em sua casa, algum tempo depois de sua morte?!?!?!?!!!!
Isolado, só, MORTO!
Ligaram-nos para que fôssemos cuidar de tudo; ele está no Hospital das Clínicas, e logo será enviado para uns minutos da família com o CORPO, sem velório, sem delongas...MORTO!
Doeu tanto, e ainda dói! Doeu a saudade que já tinha dele; doeu a vida que ele levava! Doeu! Dói.
Com toda a dor que tinha, escrevi a ele um poema, ou um epitáfio, ou uma homenagem que sempre fiz! Foi um tio que amei, como a todos.... Quem me conhece, sabe que sou apaixonada pelos meus tios.... quero-os sempre comigo.... Quem me conhece mais, sabe que sou cada pedaço da minha família; ela inteira e em partes!

Espero que gostem do poema.....
Espero que abriguem a intenção dele....
Espero que Deus guarde meu tio.... Porque no tempo do reencontro, vou fazer a ele todas as perguntas de quem vai guardar a saudade até lá!


Tio Zequinha: "Ave Maria, cheia de graça. O Senhor é convosco. Bendita sois vós entre as mulheres, e Bendito é o fruto do vosso ventre: Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, os pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém"



"Numa intertextualidade tremenda, a hora conversa com a dor"

Andréia Medrado


E ele se foi
Ele era, simples era
E como em "Funeral Blues"
Os pontos se confundiram
E eu sou convidada
A outra vez
Observar a morte
Olhá-la, inerte
Eu inerte
Eu impotente
Eu culpada sem medo
Sem Norte ou Sul para perder
Perdida nos pontos que criei
Em "Funeral Blues" eu senti mais
Mas nesse cortejo
Eu não canto a voz
Que grita diante da via dolorosa
Ele se foi
Os avisos não chegaram
Ou ao menos souberam prenunciar
Só o descaso do acaso
E o coração abriga o esmo
Ele se foi
Ele
Ele que elegeu meu eu
Numa eleição premeditada
Permeada de ambição
Ele se foi
E levou consigo
O querer de eu querer
A parte minha que já tinha
A parte minha comum a nós
Foi embora
Foi sem medo
E sem machucar
Não na hora
Mas agora!
E a parte minha
Com lágrimas emprestadas
Dá adeus
E as flores cobrem
O que cobra o favor!
Ele se foi
E a saudade que faz troca
Foi ligeira, apressada
E fez morada
Porque sabe que vem para estar
Para dar tempero à dor
E acusar do tempo matado
Ele se foi
Anônimo, foi.
Foi agora e antes de saber
E sua partida
Deu sentido à dor estranha
Maior que força
E com confusão percebida
Ele se foi
E o firmamento tem esperado
Porque no tempo
We'll see again!
In my North, ON my South
With our pieces!
BE IN PEACE!

Tudo o que de mim se perde acrescenta-se ao que sou.”*


Fazia um pouco de calor, e resolvi andar sem roupa pela sala, brincar na piscina imaginária que eu teimava em trazer! Eu tinha quatro anos; portanto, não há certeza de que os fatos a seguir sejam completamente verdadeiros, ou se terão um pouco de minha imaginação "aquática-pluvial-semântica de Março".
Pois bem, naquele calor infernal eu procurava por uma piscina que sempre levava em meus momentos de deserto; era uma piscina incrível: geladinha, limpinha.... minha! E entrava quem eu quisesse! Eu detinha a chave do portão! Todo mundo entrava!
Na bagunça da festa, a água gelada correndo pelos nossos corpos, eu resolvi crescer! Uma parte da piscina já não era mais a minha; fui despejada; ou lesada? A outra parte que ainda me pertencia, permanecia cheia, e olhando do alto, nada me dava mais alegria! Ainda aquilo que era meu, não precisava ser desde que o que fosse meu por herança estivesse comigo!
Penso no que seria de mim se tivesse corrido atrás da piscina-metade-vazia... somente a teria comigo, e nada mais! Talvez precisasse de mais um pouco de cloro. É. Porque quanto mais sua é a água em que se banha, maior é a necessidade de limpeza que ela carrega. Ser sozinho é cinza demais! Na piscina, Oz ajuda a enxergar, e Totó aqui é mais uma das cores do pote que espera por mim.
Uma piscina assim valeu aos quatro; vale aos trinta! Minha!
O calor daquele dia passou, e a piscina por vezes ficara vazia; fora limpa com sangue verde e preenchida com pessoas de terra. Está pronta para usar! Estávamos nela, hoje. O Sol de hoje difere daquele sobre o qual já contei: é mais intenso, menos forjado; mais ameno mesmo mais temperado; temperado com sabor neutro e coloração lilás. O Sol de hoje fala com sotaques, e me prende mais que o de ontem. O Sol de hoje ignora minha piscina. Quer ser meu mais do que ela; e então vou ter de mudar meu pronome, e essa mudança ataca minha semântica, ferindo o que sei!
Minha piscina está um pouco preocupada com o Sol de hoje. Ele é gentil e sutil e a despreza! A minha piscina evoca meus quatro anos, mas estou sem terra, o sangue verde me deixou um pouco tonta, e agora preciso encontrar mais areia! Minha piscina se rende, e deixa a água entregue à transformação: ferveu! O Sol de hoje fez casinha na piscininha dos meus quatro anos, porque é dono incondicional da Piscina dos Trinta sem ao menos ter entregue dote algum!
E o que era para ser protesto virou carta de entrega sem necessidade de pagamento!



"Os versos meus.... tão seus"



Saudades de escrever assim! rsr

Doidinha, doidinha!

Para mim faz sentidooooo!!!!


Com minhas orações,


Déia Medrado


* O Título da Postagem são dois versos de Thiago de Mello: Vento Geral, O Narciso Cego.

Esquerda estúpida

Sobre a esquerdopatia que assola o BRASIL: acredito que revolução é obra de doentes mentais, sociais e espirituais. A cultura revolucionária parte de uma certeza absoluta: "nós, os revolucionários, somos os melhores seres humanos já nascidos e, portanto, sabemos o que é o certo e também o que é melhor para todos". Os revolucionários querem mudar o mundo e sempre conseguem: o "novo mundo" e o "novo homem" são infinitamente piores que os existentes. Os revolucionários destroem tudo e todos, pois querem, por definição, que todos sejam como eles. É isto ou a morte, mesmo que "em vida". A cultura revolucionária é a maior desgraça de todos os tempos e a maior de todas as mentiras. Por mais que se ache competente, uma pessoa ou grupo não é capaz de construir uma sociedade melhor por decreto. O revolucionário é um psicopata/sociopata e quando parte para a ação política torna-se também o maior de todos os criminosos. Para o bem da humanidade, a revolução precisa ser extirpada como a um câncer como diz Olavo de Carvalho.



Retirado do Blog http://cavaleirodotemplo.blogspot.com/

Semânticas

Palavras certas na mesma gramática
O choro certo para o violão primeiro
O riso perfeito para os lábios encontrados
Toda a verdade é hoje iludida
Em mentes encontradas por trabalhadores gramaticais inebriados por sorrisos últimos de quem nunca foi achado!


Escrito num dia de incertezas coerentes! Assim, como eu mesma!

A magia da saudade que não precisa da presença!



Some people want it all
But I don't want nothing at all
If it ain't you
If ain't got you
Some people want diamond rings
Some just want everything
But everything means nothing
If it ain't you
If ain't got you!





Há diversos modos de se fazer uma declaração de amor!
Há as músicas, as famosas, e supostamente bregas, serenatas; há as cartas, há as palavras! Mas tenho experimentado a cada momento de minha leve e abençoada existência que, embora A PALAVRA seja essencial, nossos gestos amam mais!
Claro, isso é uma observação pessoal, de uma vivência da Déia! Cheia de metáforas apaixonantes e paradoxos odiosos! That's me!!! :)
Dividindo meu sopro com as pessoas maravilhosas que conheço, percebo que o que vivemos é maior do que o aquilo que falamos, embora, quando transformamos em palavra, fora da poça, como dizia João Cabral de Melo Neto, a relação torna-se mais consistente! Eu teimo em amar e viver de um modo comunitário, e ao mesmo tempo, sozinho!
Amo porque decidi fazer isso, e então, as pessoas tornam-se para mim, para sempre! Elas são o meu para sempre! Viver nelas e com elas é o propósito de eu ser como eu sou.
Não quero o que todos querem! Uma vez me disseram que o topo era solitário, e que por isso, eu permanecia assim! Qual topo? Que cume cruel é esse? E mentiroso!!!! rsr
Embora eu passe metade dos meus dias sem ninguém por perto, sei que no reencontro, terei toda a plenitude de alguém que viveu a outra metade sem mim!
Que maravilha poder dizer isso, sem a reserva do medo, ou da censura....





Hoje Livre Sou!



Aos meus seguidores e leitores,





Enormes beijos!


Aos meus amores: carinhos! Abraços e vontade do próximo reencontro! A saudade é maior e alimenta o amor!


Beijos!